Como o tempo a mais com ecrãs prejudica o desenvolvimento da criança
É cada vez mais urgente alertar os pais e encarregados de educação sobre como o uso excessivo de ecrãs afeta a aprendizagem e o desenvolvimento global da criança. Não é difícil esbarrar com crianças ainda bebés com um telemóvel no carrinho no lugar que, habitualmente, tinha um brinquedo colorido, com texturas variadas, com o qual a criança interagia se quisesse uma resposta sensorial. Há crianças que vivem o seu fim de semana mergulhadas num ecrã. Chega a segunda-feira, a única novidade ou notícia é sempre a mesma "fiquei no telemóvel". Não significa privar completamente, mas ter a firmeza de gerir o tempo gasto nessa atividade. Há janelas de oportunidade para a aquisição de determinadas competências que serão necessárias para outras competências posteriores, as nossas crianças estão a gastar etapas, o que trará consequências, o que já é perceptível em sala de aula.
1. Impacto no desenvolvimento cerebral
A neuroeducação revela que o cérebro das crianças está em rápida fase de desenvolvimento, especialmente nas áreas relacionadas com o controlo motor, a linguagem, a atenção e as funções executivas (planeamento, autocontrolo, resolução de problemas). O uso excessivo de ecrãs pode prejudicar este desenvolvimento, limitando a estimulação essencial que a criança precisa, como brincar ao ar livre, atividades físicas, interações sociais diretas e tarefas que promovem a criatividade.
2. Diminuição da capacidade de atenção
Estudos mostram que a exposição prolongada a estímulos rápidos e repetitivos dos ecrãs, como jogos e vídeos, pode reduzir a capacidade de concentração das crianças. O cérebro adapta-se a esses estímulos rápidos e perde a capacidade de focar em atividades que exigem atenção prolongada, como a leitura, a resolução de problemas e o trabalho escolar.
3. Consequências na aprendizagem
A aprendizagem é facilitada por uma combinação de experiências sensoriais e cognitivas. O uso excessivo de ecrãs, especialmente de forma passiva (como ver televisão ou vídeos), pode prejudicar o desenvolvimento da linguagem, da leitura e da capacidade de comunicação, já que a criança tem menos oportunidades de praticar a conversação, desenvolver o vocabulário e interagir com outras pessoas.
4. Impacto no sono e no bem-estar emocional
A luz azul emitida pelos ecrãs afeta a produção de melatonina, uma hormona responsável pela regulação do sono. A privação de sono tem um impacto negativo no desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, resultando em cansaço, irritabilidade e dificuldades de aprendizagem. Além disso, o tempo excessivo de ecrã está ligado a uma menor capacidade de regulação emocional e podendo aumentar a ansiedade e o stress.
5. Dificuldades na socialização
As interações diretas com os pais, professores e colegas são cruciais para o desenvolvimento das competências sociais. Quando o tempo de ecrã substitui o tempo de interação social, as crianças perdem oportunidades de aprender a partilhar, resolver conflitos e entender as emoções dos outros. Isso pode prejudicar a empatia e o comportamento cooperativo.
Sugestões práticas:
- Estabelecer limites de tempo para o uso de ecrãs, adaptados à idade da criança (por exemplo, 1 hora por dia, segundo as recomendações da OMS para crianças entre 5 e 7 anos).
- Priorizar atividades não digitais que envolvem o corpo, como brincar ao ar livre, ler ou jogos de tabuleiro.
- Incentivar conversas e interações face a face, promovendo o desenvolvimento de competências linguísticas e emocionais.
- Garantir que as crianças tenham um ambiente tranquilo antes de dormir, sem ecrãs, para promover um sono saudável.
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